A crítica é um acto puramente humano que parte da consciência de quem a faz e que tem como alvo ocorrências essencialmente humanas. Por outro lado, a consciência resulta em certa medida dos gostos e paixões de cada um, com toda a sua subjectividade. Daí que criticar sem haver uma mínima influência destes factores é um exercício dificílimo, se não mesmo contra-natura, para o ser humano.

Saturday, December 17, 2005

Serão Hologramas?

Antevendo a partida com o F.C. Porto da jornada passada, o treinador da União de Leiria, Jorge Jesus, ao analisar o adversário, destacou dois jogadores (Lucho e Quaresma), apelidando-os de "virtuais" e reafirmando-o pouco depois. Será este mais um novo conceito pleno de metafísica da famosa "gíria" futebolística, ou será apenas mais um grande pontapé na Língua Portuguesa, a passar muito ao lado da baliza?

JPG

Wednesday, November 02, 2005

Genial

«Mas em Stamford Bridge temos um ficheiro de citações do senhor Wenger sobre o Chelsea Football Club nos últimos 12 meses. E não é um ficheiro de cinco páginas. É um ficheiro de 120 páginas, por isso a nossa reacção é muito forte. A minha ideia é que já chega. Já falou o suficiente sobre nós. Disse coisas muito estranhas sobre o Chelsea».

Diga-se o que se disser dele, fale-se dos seus defeitos – que também os tem, afinal ele é humano como muitos de nós – com razão ou não, mas porém não se pode negar a sua genialidade. O Mourinho nasceu destinado a revolucionar o futebol e a ser exemplo para muita gente nas mais diversas áreas, que não apenas o futebol. O amplo conhecimento que possui do futebol muito dificilmente é igualado por algum dos seus colegas de profissão actuais; o esforço, paixão e dedicação que investe na sua profissão é inaudito; a sua personalidade forte, combativa, corajosa, inabalável e extraordinariamente confiante é muito difícil de encontrar (quem sabe se não foi também aperfeiçoada pelo convívio com o Pinto da Costa…); a sua capacidade criativa e de inovação aplicada ao treino, bem como a capacidade de motivação e de gestão dos seus jogadores, não tem par; a organização que orienta o seu trabalho não deixa espaço para erros, e porque apesar disso não pode fazer tudo sozinho até na escolha dos seus colaboradores ele consegue identificar os melhores para o ajudarem. Para além disso é um especialista na manipulação desse factor que tem crescente relevância no futebol moderno que é a vertente psicológica e de intimidação dos adversários, praticamente vulgarizando aquele que até há pouco tempo era reconhecido neste aspecto: Alex Ferguson.
Por tudo isto, Mourinho é um rival temível, quer seja dentro do campo quer seja nos jogos de palavras cada vez mais importantes no futebol de hoje, provocando azia a muita gente. Por vezes dá a impressão que não dorme, já que está sempre preparado para todas as provas que lhe surjam pelo caminho fazendo coisas que não lembra nem ao diabo. Como vemos pela declaração que encima este texto. Quem é que se ia lembra de anotar as citações menos elogiosas de um rival durante um ano para legitimar uma possível reacção “mais forte”?! Só mesmo uma pessoa muito à frente do seu tempo. SS

Sunday, October 23, 2005

Corrente de ar na RTP

Após alguns anos de interregno humorístico de qualidade – que quase apetece dizer, deliberado – a RTP volta a dar algum espaço à comédia com o programa “Tudo Sobre…”. Desde que o Herman José mudou de morada que a RTP parece ter desconsiderado o género cómico, privando o seu público de uma boa gargalhada e, consequentemente, entregando de mãos abertas o controlo deste reconhecidamente importante segmento do mercado à concorrência. Com a saída do Herman, os responsáveis pela programação da RTP baixaram os braços e fecharam os olhos ao filão de ouro que despontavam mas que possivelmente era ofuscado pela (ex-)super-estrela que era o Herman, naquela altura. Assim foram ignorados talentos reconhecidos como o José Pedro Gomes (JPG) e António Feio (AF), bem como os novos talentos da altura (que são agora figuras bem conhecidos da TV) como o Marco Horácio e o Nuno Lopes. É curioso reparar que todos eles faziam parte do elenco dessa fantástica série que era a “Paraíso Filmes” mas que no entanto foi completamente marginalizada. Outro exemplo foi o Francisco Menezes. Todos eles e mais alguns foram aproveitados pela concorrência, nomeadamente a SIC, que monopolizou a comédia em Portugal. Mas ao que parece a RTP aprendeu com os erros e está disposta a recuperar algo do que permitiu fugir. Juntando uma boa parte dos melhores actores cómicos do “humor não-brejeiro”da TV actual: JPG, AF, António Machado, Jorge Mourato e Rui Paulo. “Tudo Sobre…” veio juntar-se à Contra-Informação na tarefa de trazer uma lufada de ar fresco à programação humorística da RTP. Só resta saber se esta corrente de ar é como de costume passageira. SS

Thursday, October 13, 2005

Onde está a crise?

Aparentemente, crise em Portugal só se for de valores e competências. Ou pelo menos, esta crise é muito mais grave do que a tão badalada crise económica e orçamental. Os meus dedos tremem quando vou escrever isto, o meu cérebro hesita quando penso e recusa acreditar no que vou escreve. As anteriores autárquicas custaram 12 milhões de euros enquanto que para as de 2005 gastaram-se 108 milhões! Deste valor astronómico mais de 10% destinou-se brindes, e eu não tive nem um, para poder deitar fora. As subvenções estatais em 2001 foram de 7.5 milhões; já as de 2005 rondam os 42 milhões!! Depois deste “investimento” – como os partidos lhe chamam – fico à espera do retorno, que manda a lógica, será igualmente avultado. Digo isto esquecendo que a lógica há muito que deixou de ter aplicação em Portugal e por isso vou esperar, ingenuamente, sentado. Ainda por cima a Fátima Felgueiras (a candidata pela lista Sempre Presente XVII ...) e outros que tais ainda andam aí, e se a primeira permanecer incólume como se nada tivesse acontecido, muitas mais fatimas felgueiras vão surgir para dar a estocada final neste país decadente. Só me resta tentar esquecer por uns momentos a gravidade destes factos, e até mesmo exorcizá-los através das situações cómicas criadas, genialmente, pelos Gato Fedorento, que ilustram na perfeição esta triste realidade. SS

Sunday, October 02, 2005

Circos

Falta uma semana para as eleições autárquicas. Mas o “circo” já começou. Pelo menos é a um circo que cada vez mais se parecem as campanhas eleitorais. E não um circo qualquer, mas daqueles do género “freak show” com mulheres de barbas e afins. Há situações que até nos arrancam umas gargalhadas – até nos apercebermos que não têm, racionalmente, piada nenhuma – e há também as perfeitas aberrações. É o uso de argumentos absurdos nos debates televisivos, é acelerar à toa as obras, que ficam inevitavelmente mal feitas, autarcas suspeitos de crimes e mesmo já condenados a recandidatarem-se como se nada fosse, milhares e milhares e mais milhares de euros gastos por cada um dos partidos em cada autarquia. Enfim. E se a política é assim é porque o eleitorado (pelo menos uma parte), de certa forma, pactua com esta maneira de ser pouco civilizada. Basta ver o que se tem passado no Porto com Rui Rio, o que se passou em Felgueiras com Francisco Assis em 2003, em Matosinhos com o malogrado Sousa Franco em 2004, na Marinha Grande com Mário Soares aquando da sua primeira candidatura à presidência da República e é melhor ficar por aqui. Muitas pessoas ainda não perceberam para que serve uma eleição e continuam a preferir métodos selvagens de impor as suas opiniões.
A política reflecte as características dominantes do povo e o povo é o espelho da actuação da política.
Mais uma medalha para quem primeiro se apercebeu do fenómeno “círculo vicioso”. Quem sofre são os artistas e os espectadores dos bons e produtivos circos normais porque são forçados a ver e participar nos «freak shows». SS

Thursday, September 29, 2005

alea jacta est

O Dr. Rui Rio queixou-se, após violentas recepções de que foi alvo em bairros problemáticos do Porto, da intervenção do PS que dizia instigar a população com vista a hostilizar a sua comitiva enquanto em campanha pela presidência da CM do Porto. Este argumento pareceu-me um pouco espalhafatoso e sensacionalista, coisas que não sendo associáveis ao dr. Rui Rio, em ambiente de campanha, não seriam invulgares.
Aconteceu ontem no entanto algo que me fez ver as coisas de outra forma. À entrada para o Dragão encontravam-se pessoas, completamente dissimuladas no meio da confusão, a distribuir um panfleto azul e branco extremamente simples. Este “simples” panfleto tinha apenas uma frase de cada lado, sendo que de um dos lados se lia “Pelo Dr. Rui rio esta obra [o Estádio do Dragão e a sua envolvente] não teria sido construida.” E um pouco mais em baixo em letras garrafais lia-se também “Vota PS”.
Isto seria até bastante não-extraordinário e despreocupante nao fosse pela ostentaçao do emblema do PS o que lhe confere indubitavelmente um caracter mais oficial. Este facto sim, é preocupante e pertinente.
Até que ponto estará o PS envolvido nestas atitudes de desestabilização da campanha do Dr. Rui Rio. Pode ser de mim, mas a verdade é que ainda não vi o Dr. Francisco de Assis a repudiar ou lamentar estas acções, o que seria de esperar dada a história recente. JMM

Monday, September 05, 2005

José Milhazes

"...os companheiros luso-portugueses de Maniche no Dínamo de Moscovo..."!!!
Desde Gabriel Alves que não se ouvia nada assim, tendo que ser dado o valor a José Milhazes que tem sem dúvida vindo a fazer muito pela bela calinada portuguesa. De louvar. JMM

Tuesday, August 23, 2005

Boicote às reportagens dos fogos!!

Mais uma vez só conseguimos ser notícia no estrangeiro pelas piores razões. Depois de Bragança, veio a Casa Pia e agora o mais recente cartão de apresentação são os fogos florestais. Muitos boletins noticiosos por esse mundo fora destacam com honras de primeira página o desespero das populações afectadas, a tragédia ecológica e a humilhante incapacidade das autoridades que fazem «apelos frenéticos» de ajuda.
No entanto se virmos bem, esta situação já tardava a aparecer. Não podíamos esperar outra coisa quando os telejornais diários de cada um dos 3 principais canais televisivos nacionais ocupam quase 50% do seu tempo em reportagens doentiamente exaustivas sobre os fogos. Não interessa se estão activos ou inactivos, controlados ou descontrolados, em rescaldo, em vigilância ou a pôr em perigo populações. O que interessa é estarem lá a filmar tudo, a dizer o que já está mais que dito, a fazer perguntas que já têm resposta enquanto bombeiros e locais, em desespero, se sacrificam para defender os seus haveres. O mais estranho é que se isto acontece é porque há gente que vê, o que me faz pensar se há alguém que não fica minimamente incomodado perante estas imagens e relatos, e que não prefira ver qualquer outra coisa, nem que sejam as televendas ou mesmo o programa do Castelo Branco. SS

Tuesday, August 16, 2005

Questão de prioridades

A mais famosa (ex-)autarca portuguesa afirma que a sua prioridade é «provar a minha inocência pessoalmente em tribunal». A conclusão que se tira é que a sua autarquia a que ela, ao que parece, se vai recandidatar, não constituiu o objectivo mais imediato do seu futuro próximo. Aqui está mais uma das já demasiadas fragilidades da sua candidatura. Na hipótese absurda de vitória, o que os habitantes de Felgueiras podem esperar é uma presidente de Câmara envolvida num processo judicial que de simples não tem nada, que tem por função zelar pelo bem comum da comunidade, sabendo de antemão da velocidade a que se resolvem os processos de tribunal neste país. O que é necessário ponderar agora é se as capacidades políticas e de liderança de Fátima Felgueiras são assim tão extraordinárias que consigam não ser condicionadas pelos factos que já todos conhecem e mesmo assim ser vantajoso para o bem comum, reiterar a confiança, , a uma pessoa que tem neste momento uma imagem política no mínimo dúbia. Pelo menos para já enquanto a verdade não for apurada. SS

Friday, August 12, 2005

Hackers e Microsoft

A Microsoft desistiu de tentar criar por si mesma defesas para os seus produtos. É o que se depreende das últimas notícias desta área tecnológica que vieram a público. Senão vejamos. Os “especialistas em sistemas de segurança”, ou se preferirem os hackers, demoraram menos de 1 dia para penetrar e anular o novo programa de segurança da Microsoft, o Genuine Advantage 1.0, mostrando ao Bill Gates e companhia que não constituía nenhuma vantagem apesar de ser genuína…Talvez seja por isso que a empresa americana esteja a promover conferências com hackers de todo mundo na tentativa de perceber como é que estes se aproveitam das falhas dos seus programas e também embora não seja admitido para melhor compreender os seus “inimigos não concorrênciais”. Estas conferências já não são novidade visto já se terem afectuado anteriormente, designadas de Black Hat. O que é novidade é frequência com que se vão passar a fazer: semestralmente em vez de serem anuais, e agora designadas de Blue Hat. Vamos ver se os criadores do Windows conseguem acordar umas tréguas com os hackers através destas “conferências” em jeito de férias com regime de pensão completa e mais uns doces extra. Apesar de tudo é compreensível a atitude da Microsoft nesta guerra contra indivíduos que, em geral, não resistem a testar os seus conhecimentos informáticos, da mesma forma como alguns de nós não resistem a montar um inofensivo puzzle ou a desvendar um qualquer jogo de palavras. O pior é que eles vivem obsessivamente para isso. SS

Saturday, August 06, 2005

Mordor em Portugal

Tenho diversas razões para acreditar que, se o Peter Jackson só agora decidisse/pudesse realizar o Senhor dos Anéis (desse grande senhor da literatura mundial que é J.R.R.Tolkien), um dos locais das filmagens seria naturalmente Portugal. Uma dessas razões é que pouparia muitos milhares de dólares em efeitos especiais para recriar (fielmente) o cenário de Mordor, dado que é possível encontrar abundantemente no nosso país, especialmente no Verão, regiões com as características necessárias. SS

Tuesday, August 02, 2005

A Idade

Quem antevê as próximas Presidenciais como um combate político desfasado no tempo entre dois candidatos "fora do prazo", demonstra um franco desconhecimento do sistema político português.
O Presidente da República Portuguesa não é um George W. Bush cá do burgo. O nosso Presidente não legisla nem executa. Apesar de ter direito de veto sobre a legislação que emana da Assembleia e do Governo, não é ele que a elabora, que a constrói e que a põe em prática. O Presidente português não precisa de ser jovem, cheio de ideias e de vontade de fazer muita coisa. Pelo contrário, precisa de ser experiente, ponderado e carismático. Tem de ser uma figura reconhecida, respeitada, com história e peso político, cuja voz seja ouvida dentro e fora do país.
O Presidente aprova ou desaprova o caminho seguido pelo Governo, aconselha, indica, orienta. Representa a maturidade política, o equilíbrio do sistema democrático. O empreendedorismo, a juventude e a vontade servem muito melhor o Governo e a Assembleia do que a Presidência da República.
Posto isto, alguém vê candidatos mais capazes, à esquerda e à direita, do que Mário Soares e Cavaco Silva? JPG

Friday, July 22, 2005

Falta de sentido político

A desculpa mais esfarrapada que existe no meio político é a que se baseia em “motivos pessoais”. Creio até que está mesmo ao nível da desculpa de que “o despertador não tocou”. Provavelmente sou só eu mas quando os “motivos pessoais” são invocados a minha reacção imediata é concluir que determinado indivíduo assumiu dissimuladamente a sua incapacidade de lidar com os obstáculos e transtornos. Foi isso que pensei relativamente ao Campos e Cunha. Será que ele estava à espera de não ter de se cansar muito para cumprir a sua missão? Se assim era, não deveria ter sido o escolhido desde o início porque a missão não é fácil nem a pasta das finanças secundária. Era necessário ser alguém consciente do desafio que o esperava e com as características que são exigidas. Quanto à parte do cansaço é melhor que a partir de agora o Sócrates leve os seus ministros consigo nas suas famosas correrias para ficarem em forma, ou então sujeita-se, a ter mais demissões por "motivos pessoais, familiares e cansaço".
É bom que se comece a entender que os cargos de topo governamentais têm um elevado grau de esforço e mesmo sacrifício pessoal em prol do bem-estar colectivo. É este o custo de ter o benefício das remunerações, reformas e privilégios típicos desta classe.
Enquanto isso não acontece, vamos permanecer na mó-de-baixo. SS

Tuesday, July 12, 2005

Pensamento do Dia

Decididamente, Alberto João Jardim não gosta de caril. Dá-lhe azia. JPG

Monday, July 11, 2005

O "Profissional" de Futebol

É obrigado a trabalhar duas horas por dia (às vezes quatro, imagine-se!), o que o impede de acompanhar devidamente a sua família. No escasso tempo livre de que dispõe é-lhe extremamente difícil diversificar as suas actividades de lazer, devido ao parco salário que o obriga a controlar o orçamento familiar milhar de euro a milhar de euro. Além disso, passa longos períodos longe de casa, alojado em condições desumanas, sem água, sem luz e sujeito a trabalhos forçados e aos mais diversos tipos de tortura que o impedem de descansar convenientemente. Para finalizar, é ainda, qual escravo, sujeito ao cumprimento de contratos que o próprio assinou, vilipendiado e ostracizado para além do imaginável.
Benni, Miguel, Enak, estou com vocês!! JPG

Tuesday, June 21, 2005

Túneis

Faltam poucos dias para o Embargo do Túnel de Ceuta comemorar o seu segundo mês de uma existência que se prevê longa. Visivelmente satisfeitos com este feliz momento, os pais babados, o IPPAR e a ministra Isabel Pires de Lima recusaram-se a comentar por considerarem ter o “direito a não expor a sua vida privada”. Com estas palavras arrancaram para Fátima onde, conforme se soube depois junto de um dos seus assessores do ministério, o casal vai analisar a construção da nova Basílica do Santuário. A decisão foi motivada pelo facto de também ali estar previsto um túnel. Segundo esse mesmo assessor, que estava presente na altura em que a ministra tomou conhecimento desta evidência “os seus olhos brilharam num misto de surpresa e entusiasmo fazendo lembrar o Tiago Monteiro no pódio”. Depois do ter falhado o embargo do Túnel do Marquês, consta-se que o casal tem grandes expectativas quanto a este novo caso susceptível de ser suspenso.
É sabido ainda que W.Bush tem estado atento às exibições da ministra e irá tentar contratar os seus serviços para a equipa responsável pelos os embargos comerciais que o governo americano irá impor a países árabes suspeitos de apoiarem organizações terroristas. SS

Tuesday, June 14, 2005

Bem-haja

Wednesday, June 08, 2005

Onda de lesões

O azar está à porta do SLB. Após a épica vitória no campeonato surge, sem aviso prévio, uma onda de lesões a rivalizar com a onda de calor que afecta o país. Depois do Simão ter sido operado com sucesso a uma hérnia inguinal na Alemanha, existem mais lesionados nas hostes encarnadas. A saber: Miguel vai-se deslocar a Inglaterra para debelar uma unha encravada do dedo grande do pé direito; Nuno Gomes vai para o Japão com o intuito de retirar um pêlo da barba também encravado e rumará depois, se correr mal a operação anterior, para uma clínica de beleza espanhola para efectuar uma plástica; Petit tem viagem marcada para Austrália onde curar um golpe que fez num dedo da mão enquanto cortava um pão para lanchar durante o estágio da Selecção; por sua vez, Ricardo Rocha, já se encontra na Gronelândia para recuperar de um escaldão solar; e finalmente, Mantorras, vai passar as suas férias na NASA, para fazer mais testes aos joelhos, sendo de prever, no pior dos cenários, que tenha de ficar uns dias fora da órbita terrestre para não haver falhas relacionadas com a gravidade. «É uma pena os jogadores sofrerem de lesões tão graves que não podem ser tratadas em Portugal.» terá desabafado Luís Filipe Vieira, quando questionado sobre o quadro clínico do clube. SS

Portas enganado

O anterior ministro dos assuntos do mar mostra-se desiludido pela traição a que foi sujeito. Na sua missão de servir os melhores interesses do país decidiu adquirir dois submarinos de última geração, que lhe garantia ter a extraordinária capacidade de voar. Posto isto, Portas acreditou de boa fé e, deste modo, esperava matar dois coelhos de uma cajadada só: renovar a frota de submarinos da Marinha e também usá-los no combate aos incêndios no Verão! Mas agora com os fogos de novo a dizimar a floresta lusa, e para surpresa de muitos, essas maravilhas da tecnologia apenas voam dentro de água. "É pena mas pelo menos estamos protegidos da ameaça terrorista que venha eventualmente pelo mar." afirmou um dos seus muitos «boys» (palavra inglesa que significa «acessor altamente especializado»); afirmação esta que foi imediatamente reforçada com as declarações de um outro «boy»: "Daqui a umas centenas de anos já temos mais floresta, e neste momento precisamos é de terrenos aráveis para vender aos espanhóis, alemães e ingleses, reforçando assim as nossas relações diplomáticas com os respectivos países." SS

Monday, June 06, 2005

Jardim intocável

Porventura escaldado com as mais recentes medidas do governo de limitar os mandatos autárquicos bem como das acumulações de rendimentos por parte dos políticos, o sr. Madeira deixou cair a máscara e mostrou ao país aquilo que ele é verdadeiramente. Ou seja, alguém que não fica em nada a perder para o cidadão mais brejeiro da nação. É nestas situações que se vê perfeitamente a diferença entre irreverência e frontalidade (que alguns seus apoiantes o designam) de puro desrespeito, insubordinação e desconhecimento dos procedimentos políticos. Fosse eu presidente do mesmo partido que ele não iria aceitar estes comportamentos nem que fosse para manter um típico bastião partidário incólume. Fosse eu madeirense não iria aceitar estes comportamentos com receio de ser considerado igual. Mas, enfim, esta situação está condenada a passar como se nada fosse; é esta a nossa realidade.

PS: Aproveito para deixar aqui um agradecimento especial à TVI por ter transmitido o sucedido na íntegra palavra a palavra sem recorrer aos "desnecessários" "pis"; seria impossível de todo perceber o que foi dito... e assim toda a gente fica a ganhar, especialmente as crianças que vêem o telejornal enquanto jantam. SS

Thursday, June 02, 2005

Carta

Hoje recordo um dos grandes mistérios que pairam na mente de quem está a tirar a carta de condução, e é confrontado com a importância sagrada de tratar por “Sr. Engenheiro(a)” a pessoa que nos avalia no, por muitos considerado, inferno do exame de condução. Nunca tive eu conhecimento da existência de um qualquer curso superior de Engenharia da Condução Automóvel, ou o que quer que seja remotamente semelhante. A minha ignorância do tema não significa que tal não exista, nem se põe em causa a sua complexidade. No entanto, a existir é muito escondido e restrito a apenas alguns privilegiados, certamente. Quem sabe se é uma espécie de sociedade secreta, género Priorado do Sião ou Illuminati?! (Mas vamos avançar porque isto já parece o prefácio do próximo livro de Dan Brown, e eu nem estou a ser pago para fazer isso).
Perante a minha ingénua pergunta de se é necessário ser engenheiro para ocupar essa função, a ideia obtida que a generalidade dos inquiridos dá a entender é elucidativa: a maioria é tão engenheiro como o Zé Cabra. E as semelhanças não ficam por aqui. Também os ditos “engenheiros” são capazes de proporcionar um momento desagradável aos examinados no decorrer do exame, sabe-se por que razão… antigas frustrações talvez? É já mesmo velha tradição portuguesa. No caso de haver algum curso como disse anteriormente, apesar de desconhecer já devo ser capaz de deduzir duas cadeiras que lá se lecciona: Introdução à Arrogância e ao Sadismo I e II, e Métodos de Desmotivação, etc. E, infelizmente, parece que aqui os professores são bons e ensinam bem os futuros “engenheiros” dos exames de condução. A nossa sorte é que ainda vão saindo alguns com uma média final baixa… SS

Saturday, May 28, 2005

Constituição

De cada vez que são divulgados novos estudos estatísticos sobre a opinião dos franceses quanto à ratificação da constituição europeia, Jean Monet e Robert Schuman (dois dos pais fundadores da ideologia que defende a unidade europeia) devem dar umas voltas nos seus túmulos. Os contornos de desespero que já caracterizam a campanha pelo Sim fazem prever que o dia 29 de Maio vai ser outro dia D para a Europa e de novo em território gaulês. Será que o Sim vai morrer na praia? Ou, da outra perspectiva, será o Não vai morrer na praia? Nesta comparação absurda, é difícil dizer quem faz o papel dos bons ou maus da fita. O que é certo é que os chefes de estado de dois dos países mais proeminentes já se aliaram ao Sim na tentativa de convencer o povo francês a dizer Sim à Constituição Europeia.
Na medida em que a Constituição será uma versão melhorada dos diferentes tratados europeus até aqui implementados, surgindo assim como mais um passo lógico no processo da construção europeia (e acelerado pelos novos desafios decorrentes da maior integração de novos Estados-Membros na União), será racional a França recuar naquilo que ajudou a construir nos últimos 50 anos?
Para já, ou muito me engano ou a opinião geral que por cá deve predominar é que toda esta algazarra é problema dos franceses. Mas a momento da decisão também vai bater-nos à porta. E aí já vai ser problema nosso. Ou seja, o problema é de todos, quer seja hoje, amanhã ou depois. Quantos de nós têm uma ideia clara do que está aqui em questão? Quantos de nós já se deram ao trabalho de ler a versão resumida «não oficial» de uma futura Constituição Europeia comum? Eu ainda não li (tudo), mas tenciono fazê-lo em tempo útil. Enquanto isso não acontece o futuro da Constituição fica em suspenso. SS

Thursday, May 26, 2005

É assim que se faz

Mais uma vez o FCP, na pessoa do seu presidente, mostrou por que é diferente dos outros. Depois de tudo o que de inesperado se passou nesta época futebolística, e que só não foi pior porque os outros também estiveram mal, a massa associativa estava sedenta de explicações. Mas não teve que esperar muito. Feito o último jogo da temporada, e sabendo muito bem que os associados são uma das principais razões da existência de um clube, os esclarecimentos foram dados de modo acalentar os mais melindrados. Primeiramente, foram assumidos os erros que só quem nada faz não comete, justificadas as decisões tomadas, divulgadas situações imprevistas, e também congratuladas as vicissitudes positivas porque, apesar e de tudo, o ano não foi uma calamidade. De facto bem, vistas as coisas, perante a quantidade anormal de dificuldades que sugiram era difícil fazer melhor. Sem rodeios, sem desvios das questões principais, tudo “azul no branco”, foi tudo tratado e esclarecido. Aliás, outra coisa não seria de esperar vinda de Pinto da Costa, um homem cujo sentido de identidade portuense, paixão pelo futebol, capacidade de liderança e de retórica são ainda maiores do que os ódios e invejas dos seus adversários. Por isso, quando o acaso for menos avesso tudo correrá pelo melhor porque as qualidades intrínsecas desta instituição ainda estão presentes, ou pelo menos assim se espera. SS

(para quem não leu: 1, 2 )

Wednesday, May 25, 2005

Dois anos depois de ter batido no fundo, chega-se agora à conclusão que como se não bastasse aterramos num terreno onde ainda podemos descer mais fundo, com os números 6,83 e 21% a pairar sobre as nossas cabeças como abutres. O sentimento de traição e de desfeita aumenta a cada governo que passa. Todos pedem sacrifícios apesar de a bonança ser cada vez mais utópica. Mas ninguém dá por isso porque nem tudo é mau! O país está mergulhado, desta feita, na tão propalada onda vermelha e não é um súbito fascínio do eleitorado pelo Partido Comunista (esse está em harmonia com o situação de Portugal). Os tais 6 milhões, que afinal são 4,5 , vivem dias de uma euforia inaudita há já alguns anos, e fazem agora questão de extravasar a frustração acumulada ao longo dos anos. A exaltação é tal que começa a ter contornos de obsessão (que será melhor explicado num outro post se assim os leitores o desejarem). E é aqui que as nuvens se abrem para a Luz iluminar o nosso rectângulo. Se os tais 6 milhões, que afinal são 4,5 , canalizarem a euforia para as suas actividades profissionais, vamos finalmente sair do pântano e poder vestir pelo menos uns boxers ou mesmo uns calçõezinhos. SS

Sunday, May 22, 2005

Cérebro

O cérebro humano é um orgão extraordinário. O ser humano define-se e diferencia-se dos outros animais essencialmente por causa dele. O seu funcionamento e estrutura é muito estudado mas encerra incógnitos muitos segredos, especialmente no que toca ao seu potencial. No entanto, a estimativa da sua capacidade já não é um deles. Pensa-se que o cérebro humano tem uma capacidade de armazenamento à volta de 100 mil MB, o que em termos de CD's equivale a 143 CD's, ou perto 22 DVD's. Convenhamos, é um bocadinho frustrante, a confirmar-se este facto, que o nosso cérebro seja reduzido a uma caixa de 22 DVD's que nos dias que correm se pode adquirir numa qualquer loja da especialidade por uns quantos euros. SS

Tuesday, May 17, 2005

Rambivo - Herói Nacional

Lembram-se daqueles filmes americanos em que o herói solitário parte numa cruzada pela justiça, matando, esfolando, partindo tudo e todos à sua passagem (tudo em prol do "Bem", claro!) e no final surge à saída do hospital, acompanhado pela voluptuosa mulher do vilão-mor que entretanto se apaixonara por ele e vivem felizes para sempre? Pois bem, nós portugueses temos um herói assim. E não é nos filmes! Qual Stallone, Ivo Ferreira partiu para o Dubai numa cruzada pela divulgação dos poderes libertadores do haxixe. Traído pela sorte, suportou a dureza infame do cativeiro, mesmo tendo apenas, segundo o próprio, "acendido o cigarro para o apagar logo de seguida". Mas como todo o verdadeiro herói, sobreviveu às agruras do infortúnio e regressou ao nosso país abençoado pela diplomacia nacional, que teve assim a oportunidade de estreitar os laços diplomáticos com o Dubai, e, o mais importante, regressou livre das acusações que sobre ele pendiam e com o cadastro limpo. É justo! JPG

Monday, May 16, 2005

Listas provisórias

«As listas provisórias de ordenação do concurso nacional de professores serão divulgadas terça-feira na Internet, uma semana antes do previsto, garantiu o Ministério da Educação (ME).»
in Diário Digital

Apesar da expressão «antes do previsto», esta notícia refere-se mesmo a Portugal, por mais estranho e improvável que possa parecer. É bom saber que algumas coisas já começam a acontecer como deviam: a tempo e horas. Mas, é mau confirmar-se a continuidade da típica atitude portuguesa de que “os problemas só se resolvem quando morre alguém ou quando aparece na televisão”, como foi este o caso há uns meses atrás aquando da caótica divulgação das listas de colocações. SS

Wednesday, May 11, 2005

O Regresso

A noite de domingo passado teve para mim um gosto especial. Num programa televisivo que, à semelhança do apresentador, já teve muito melhores dias, surgiu um convidado que trouxe um renovado interesse ao programa que se previa ser mais do mesmo. O convidado em questão é José Pedro Gomes. Depois dos momentos dramáticos por ele vividos em que esteve por (muito) pouco para nos deixar, reapareceu publicamente pela primeira vez, para contar na primeira pessoa o sucedido. Ainda em fase de convalescença, apresentou-se igual a si mesmo com a sua exemplar maneira de ser, brincando mesmo com alguns aspectos dos mais recentes acontecimentos da sua vida, nomeadamente, com o sistema de saúde que tanta vontade nos dá de chorar. Este Grande Senhor da arte de representar que nem sempre foi tratado como tal (vá-se lá saber porquê) revelou que está desejoso de voltar a trabalhar para alegria de todos, sobretudo os admiradores do humor de qualidade. É bom saber isso porque ainda tem muito para oferecer. Portanto, demora o tempo que for preciso mas volta. Nós aqui estamos à tua espera! SS

Thursday, May 05, 2005

Guerra: má ou boa?

Será a guerra um acontecimento necessariamente mau? A maior parte das pessoas não hesitaria em responder que sim mas como em tudo há diversas perspectivas. Por exemplo, assim muito aleatoriamente, sei lá, os construtores e outras empresas norte-americanos, que recentemente se mudaram mais para oriente, não saberiam responder tão prontamente a esta mesma pergunta. É certo que após alguns momentos de hesitação a resposta seria a politicamente correcta (da mesma forma que um criança teria negado a culpa de ter partido uma janela com a sua bola). De facto, por mais inverosímil que possa parecer, há sempre quem ganhe com as desgraça dos outros. É essa proposta da CorpWatch: mostrar aqueles que ficam a ganhar com as guerras. Uma missão curiosa que é de louvar. Mais curioso ainda é o método de revelar os ditos "exploradores da guerra", que é atribuir a cada um dos citados um lugar no War Profiteers Card Deck! Onde é que já vi isto?!?... Não se pode dizer que seja original mas é no mínimo irónico. Tem uma certa piada ver a outra face (escondida) da moeda. SS

Monday, May 02, 2005

Pensamento do dia

Toda a gente sabe que fumar não é uma ideia que se possa considerar como genial. Na mesma linha pode-se dizer que, fumar outras substâncias que não o tabaco, consideradas estupefacientes, é uma ideia ainda menos genial. Agora, fumar essas mesmas substâncias ilegais num país muçulmano cuja cultural não é, tipicamente, das mais liberais do mundo é pura estupidez. SS

Saturday, April 30, 2005

De volta ao Wild West

O estado norte-americano da Florida, cujo governador é Jeb Bush (adivinhem de quem este individuo é irmão?) aprovou uma lei que legitima os cidadãos a disparar nas ruas, caso se sintam ameaçados. Perante isto, presumo que não será surpresa para ninguém, que um transeunte seja alvejado quando for buscar alguma coisa a um bolso, nem que essa coisa seja tudo menos uma arma, só porque outro transeunte se sentiu ameaçado com esse gesto. O mais triste é que esta decisão é vista como o alargamento “lógico” de uma lei anterior semelhante. Deve ser a lógica do “dispara primeiro e pergunta depois” tão em voga no tempo dos cowboys.
Num país em que há quase mais armas de fogo nas mãos da população do que habitantes e que metade desses mesmos habitantes partilham as ideias do seu presidente recém-reeleito, esta medida é um grande e decisivo passo em direcção ao… Velho Oeste. Esta família Bush (pelo menos a julgar por estes dois elementos) é de facto uma família de iluminados: vêem soluções para os problemas, geralmente criados por eles próprios, onde mais ninguém vê, e que por mais bodegas que façam têm sempre apoio das pessoas com o mesmo reduzido nível de inteligência, que é aproximadamente metade da população norte-americana. SS